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sábado, 28 de janeiro de 2017

(FEBRE AMARELA) Ministério confirma 42 mortes por febre amarela no país em 2017

Casos notificados chegam a 555, com 87 confirmados.
Vacina contra febre amarela gera dúvidas entre a população

O Ministério da Saúde atualizou os dados sobre a febre amarela no país em 2017. De 107 mortes suspeitas notificadas, 42 estão confirmadas. Os casos notificados são 555, com 87 confirmados. Eles ocorreram em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. Os seis casos suspeitos do Distrito Federal foram descartados.
Saiba mais sobre a vacina contra febre amarela
O ministério da saúde avalia que o mais importante, agora, é a vacinação. Mas o aumento do número de casos gerou muitas dúvidas.
O vilão da febre amarela silvestre, o Haemagogus, vive nas matas e é o principal transmissor da doença. Além dele, outro mosquito, o Sabethes, também transmite no meio rural.
O Haemagogus tem por hábito picar tanto os macacos quanto os humanos durante o dia. A fêmea costuma depositar os ovos em ocos de árvores que tenham acúmulo de água. Da mesma forma que o Aedes aegypti, é a fêmea que transmite a doença.
Os vizinhos de um posto de saúde, em Belo Horizonte, estão bem longe da área do surto. Mas, está dando fila todo dia para tomar vacina.
“A preocupação da gente, de mãe, normalmente é qual reações mesmo que a criança pode vir a ter”, diz a administradora de empresas Paula Paranhos.
“As reações da vacina de febre amarela são extremamente raras. Temos relatos de um caso para cada 400 mil doses aplicadas. É extremamente raro e geralmente acontece em alguém que tem algum tipo de deficiência imunológica”, explica Olindo Assis Martins Filho, pesquisador da Fiocruz/MG.
Adultos que perderam o cartão de vacinação ou não sabem se tomaram as duas doses recomendadas pelo Ministério da Saúde também estão em dúvida.
“Se você tomar uma terceira dose tem algum efeito colateral dessa vacina”, pergunta a advogada Lilian Muschioni.
“Você acha que você já tomou por exemplo 2 ou 3 doses ao longo da vida, mas não tem certeza, não tem o cartão. Na dúvida você deve por cautela se revacinar se você for residente na região onde ocorre o surto ou se for viajar para essas regiões”, explica o pesquisador.
A recomendação número um é manter sempre o cartão de vacinação atualizado. Duas doses da vacina da febre amarela são suficientes para imunizar por toda a vida. Apesar de ser considerada uma das vacinas mais seguras do mundo, há que se ter atenção com as contraindicações.
Como a vacina é fabricada com partes do vírus ela não é indicada para mulheres em fase de aleitamento, transplantados e pessoas em tratamento contra o câncer. Pessoas que têm alergia a ovo também não podem ser vacinadas.
Gestantes devem procurar orientação médica, assim como idosos que ainda não receberam nenhuma dose da vacina.
Doadores de sangue que tomarem a vacina só podem fazer doação após quatro semanas. E é importante lembrar que a vacina passa a ter efeito dez dias depois de aplicada.
A febre amarela é uma doença grave e contra ela a melhor prevenção é a vacina.
“Não há necessidade nenhuma de pânico em pensar que vai faltar dose. Não, não vai faltar dose. O Brasil é o principal produtor mundial da vacina contra a febre amarela. Nós temos suficiente para vacinar toda a população do país. Inclusive, somos exportadores da vacina para a América Latina e para a África”, diz Olindo.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

(NOTICIAS) Incêndios deixam nove mortos e arrasam povoados no Chile

Fogo consumiu cerca de 270 mil hectares em sete regiões do país em pouco mais de uma semana

Incêndios que avançavam nesta quinta-feira pelo centro e sul do Chile deixam nove mortos, milhares de evacuados e povoados totalmente arrasados, na maior catástrofe florestal da história do país.

Os incêndios consumiram cerca de 270 mil hectares em sete regiões do país em pouco mais de uma semana, provocando uma tragédia sem precedentes que matou um bombeiro voluntário, dois policiais, três brigadistas (bombeiros florestais) e três habitantes, segundo informações do governo. No Chile, todos os bombeiros são voluntários, exceto os florestais.Na madrugada desta quinta-feira, o fogo atingiu a localidade rural de Santa Olga, e outros pequenos povoados da região do Maule (280 km ao sul de Santiago), as primeiras comunidades a ficar totalmente destruídas pelas chamas.

Devido a esta emergência, 4 mil pessoas foram evacuadas por bombeiros e policiais, cerca de 80% da população total, enquanto os incêndios mantêm seu avanço descontrolado ameaçando dezenas de povoados rurais em ao menos três regiões do país.

— Lamentavelmente, o fogo chegou a lugares como o povoado Santa Olga. Felizmente, foi possível evacuar todas as pessoas e não temos perdas a lamentar, salvo as perdas materiais — informou a presidente Michelle Bachelet, em uma coletiva de imprensa.

O número de incêndios ativos caiu de 64 para 55, enquanto 53 focos foram controlados e cinco extintos, segundo o último relatório do Órgão Nacional Florestal (Conaf).

Estes poderosos incêndios ainda não atingiram cidades grandes, e só afetaram povoados rurais onde vivem, em sua maioria, agricultores e criadores de gado. As grandes empresas florestais também foram afetadas, principalmente na região do Maulle, onde o fogo consumiu mais de 160 mil hectares, muitos deles de pinheiros e eucaliptos.

Os incêndios avançaram até a região do Biobio, 550 quilômetros ao sul de Santiago, onde a presidente Bachelet decretou estado de exceção constitucional. As regiões de O'Higgins e do Maule também se encontram nesta condição.

As perdas econômicas "são inormes e incalculáveis", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Furche.

Ajuda internacional

Mais de 4 mil pessoas, entre bombeiros, brigadistas, carabineiros, detetives, funcionários públicos, militares e civis, trabalham nas operações para apagar o fogo. A eles se somou a ajuda procedente do Exterior, como especialistas franceses no combate ao fogo e brigadistas colombianos que chegaram ao Chile nesta quinta-feira.

— Agradecemos à Colômbia por esta solidariedade. Nos comunicamos com outros países: Uruguai, Argentina, Peru, Estados Unidos, Suécia e Canadá também nos ofereceram colaboração — disse o chanceler chileno, Heraldo Muñoz, que participa da Cúpula da CELAC em Santo Domingo, substituindo a presidente Bachelet, que desistiu devido aos incêndios.

Espera-se que um grupo de voluntários mexicanos também chegue ao Chile no sábado para colaborar. Enquanto isso, o avião Supertrank, com capacidade para mais de 73 mil litros de água e fretado por uma fundação privada americana, iniciava seu segundo dia de trabalho para extinguir as chamas nas zonas mais atingidas.

Clima extremo

As condições meteorológicas para esta quinta-feira continuarão sendo extremas na zona centro-sul do país, com fortes ventos e altas temperaturas, que contribuíram para o avanço dos incêndios.

Nas zonas afetadas são esperadas temperaturas superiores a 38 graus, devido a uma onda de calor que atinge por mais de 10 dias o centro e o sul do país.

Com 37,4ºC, Santiago registrou na quarta-feira um recorde histórico. Sobre a capital chilena, uma das mais poluídas da região, as condições do ar pioraram devido à nuvem de fumaça lançada pelos incêndios. Existem 19 alertas vermelhos e três amarelos em outras comunidades do centro-sul do país.

Bachelet anunciou uma investigação para determinar as causas dos incêndios.

— A multiplicidade de focos não nos permite descartar um componente de intencionalidade — declarou a presidente.

Mais de 90% dos incêndios registrados anualmente no Chile são provocados intencionalmente.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

(VEJA) Fuga de presos em Bauru gera pânico; comércio fecha portas

Fuga de presos em Bauru gera pânico; comércio fecha portas

Amanhã tumultuada com a fuga de presos do Centro de Progressão Penitenciária 3 (CPP-3) de Bauru, no interior de São Paulo, gerou uma onda de pânico na cidade. Inúmeros estabelecimentos comerciais próximos à unidade, na região central e em outros bairros fecharam as portas com receio de assaltos e furtos. Uma universidade, agências dos correios e a unidade do Poupatempo local também deixaram de funcionar.
"Que pânico! Estamos com muito medo e trancados dentro da imobiliária", relatou uma corretora de imóveis. "Muitos clientes desmarcaram as consultas hoje por medo de sair na rua", contou uma médica veterinária.
Viaturas da Polícia Militar estão por toda a cidade em busca dos fugitivos. Dois helicópteros Águia, da Tropa de Choque, da cavalaria, além de equipes de várias cidades vizinhas dão apoio às buscas. Muitos fugiram pela rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a SP-294, também conhecida como Bauru-Marília e também pela Avenida Nações Norte. O CPP-3 fica no km 349 da rodovia. Há informações e boatos de que os fugitivos estariam fazendo arrastões em supermercados, galerias e até em um shopping da cidade, mas a PM desmente.
Por orientação do comando da Polícia Militar, o prefeito de Bauru, Clodoaldo Gazzetta (PSD), chegou a suspender o atendimento ao público nos serviços municipais, mas retomou às 14h. Há exceção apenas para as unidades de saúde e os atendimentos de urgência e emergência. O funcionamento interno dos setores permanece, por isso os servidores não foram dispensados do trabalho até o início da tarde. A Câmara Municipal está fechada desde às 11h por ordem do presidente Alexssandro Bussola (PDT). Os dois shoppings da cidade continuam abertos.

De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), dos 152 detentos que fugiram, 90 já foram recapturados e estão sendo levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP). Segundo o capitão Juliano Loureiro, os três pavilhões ficaram bastante danificados. Os presos queimaram colchões e a fumaça escura podia ser vista de longe. De acordo com o Corpo de Bombeiros, os reeducandos atearam fogo no setor de alojamento e o incêndio começou a se espalhar pelo prédio. Os bombeiros estão no local para conter as chamas.O tenente-coronel Flávio Kitazume, comandante da PM em Bauru, confirmou que a situação dentro da unidade está controlada e que a rebelião se trata de um caso isolado, ou seja, não há outras unidades prisionais nesta condição na região.

De acordo com a PM, nenhum agente penitenciário foi feito refém. Policiais e reeducandos sofreram apenas escoriações. As famílias dos presos começam a chegar no CPP-3 em busca de notícias.

Os relatos de funcionários ao Sindicato dos Agentes Penitenciários dão conta que a rebelião teve início a partir da descoberta de que um dos presos estava com um telefone celular. "Ele foi flagrado, mas o resto da população (detentos) não aceitou pegar preso com o celular, investiram contra os funcionários que vinham conduzindo esse preso, aí os funcionários tiveram que largar porque tinham três funcionários. E tem 1.500 presos o prédio. Então teve uma investida de vários presos contra os funcionários. Eles abandonaram o preso e se retiraram”, conta o presidente do sindicato, Gilson Pimentel Barreto.Segundo nota divulgada pela secretaria, o Grupo de Intervenção Rápida (GIR) formado por agentes de segurança penitenciária, está junto com a PM realizando a contagem dos presos.

"Ressalvamos que as unidades de regime semiaberto, conforme determina a legislação brasileira, não dispõem de muralhas nem segurança armada, sendo cercada por alambrados. A permanência do preso nesse regime se dá mais pelo sendo de autordisciplina do preso do que a mecanismos de contenção. O CPP III é o antigo Instituto Penal Agrícola de Bauru e está localizado numa área, do tipo fazenda, de 240 alqueires. Na última saída temporária, que ocorreu no final de 2016 e início de 2017, 1122 presos foram beneficiados e 1074 retornaram. Hoje, 208 presos trabalham fora da unidade, exercendo atividades externas, outros 65 em empresas dentro da unidade e  358 trabalham em atividades de manutenção do próprio presídio", diz a nota enviada à imprensa.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

(VEJA) Madonna defende afirmação sobre 'explodir a Casa Branca' e diz que era metáfora

Discurso inflamado da cantora foi criticado nas redes sociais; 'não sou uma pessoa violenta', defendeu-se

A Cantora pop Madonna, que disse ter pensado em "explodir a Casa Branca" durante um discurso cheio de palavrões durante a Marcha das Mulheres de sábado em Washington, explicou no domingo (22) que falava metaforicamente.
O discurso de Madonna, que foi criticado nas redes sociais, levou alguns canais de televisão a interromperem bruscamente suas transmissões ao vivo da marcha, que atraiu centenas de milhares de pessoas em manifestações em todo o território norte-americano em protesto contra a eleição de Donald Trump como presidente.
"Não sou uma pessoa violenta", disse a cantora e compositora no Instagram. "Usei uma metáfora e compartilhei duas maneiras de ver as coisas -- uma era ser esperançosa, e a outra era sentir raiva e indignação, o que senti pessoalmente".
A artista, de 58 anos, liderou a multidão no sábado aos brados de "Sim, estamos prontos" para enfrentar as políticas defendidas por Trump, que durante a campanha eleitoral fez comentários sobre a atratividade de rivais e promessas de banir ou diminuir os direitos ao aborto.
Os comentários de Trump em um vídeo de uma década atrás, no qual declarava que, por ser uma celebridade, as mulheres lhe permitiriam que as beijasse e as tocasse sem seu consentimento, revoltaram ainda mais muitas mulheres.
Em seu discurso durante o protesto, Madonna direcionou palavras grosseiras aos críticos do protesto. "Aos nossos detratores que insistem que esta marcha nunca dará em nada, vão se f...", disse a pop star, que depois repetiu a ofensa.
Suas palavras desencadearam críticas imediatas nas redes sociais. No Youtube, onde seu discurso foi mostrado ao vivo e em formatos gravados, vários usuários chamaram a artista de "má".
Outros expressaram revolta por seu comentário de que pensou em explodir a Casa Branca. No Twitter, alguns usuários exigiram que ela seja investigada por fazer ameaças terroristas.
O comparecimento da marcha de sábado foi inédito, e os organizadores afirmaram ter mobilizado 5 milhões de manifestantes em todo o mundo.
Não há estimativas oficiais para o evento principal de Washington, mas o número ultrapassou claramente os 200 mil projetados pelos organizadores, preenchendo grandes trechos do centro da capital no entorno da Casa Branca e da National Mall.

domingo, 22 de janeiro de 2017

(NOTICIAS) Só liberar dinheiro não resolve a crise nas prisões do Brasil

Só liberar dinheiro não resolve a crise nas prisões do Brasil

Desde janeiro, cinco rebeliões deixaram ao menos 138 mortos em presídios nos Estados do Amazonas, de Roraima e do Rio Grande do Norte. As fugas chegam a 220. O sistema prisional do Brasil parece um barril de pólvora pronto a explodir em um país em que há 622.202 pessoas atrás das grades."Não há uma solução rápida, a curto prazo", admite o analista criminal e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) Guaracy Mingardi, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Com a experiência de quem, aos 61 anos, já foi policial, subsecretário nacional de Segurança Pública e secretário de Segurança de Guarulhos (SP) e também atuou em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o crime organizado e na Comissão Nacional da Verdade, Mingardi defende que resolver esse problema exige ir além de disponibilizar mais recursos financeiros.

"Só liberar dinheiro não resolve. Os três planos de segurança anteriores fizeram apenas isso e não resolveram nada", diz ele.

De acordo com o mais recente Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), de dezembro de 2014, o Brasil tem a quarta maior população penitenciária do mundo, atrás de Estados Unidos (2.217.000), China (1.657.812) e Rússia (644.237).

O relatório ainda traça um perfil dos detentos brasileiros: 55% têm entre 18 e 29 anos, 61,6% são negros e 75,08% completaram o ensino fundamental. Além disso, 40% estão presos provisoriamente, ou seja, ainda não foram condenados pela Justiça de primeira instância.

Mobilização
Foi neste contexto que o governo anunciou em 6 de janeiro um Plano Nacional de Segurança - o quarto desde 2000.O novo plano prevê construir cinco presídios federais, acelerar na liberação de verba para o fundo penitenciário — R$ 32 milhões para cada Estado, aprovados no fim do ano passado para erguer novos presídios e que serão liberados agora — e transferir presos envolvidos nos massacres no Amazonas e em Roraima.

"Este plano não traz nada de novo, nada importante. É apenas contingencial e não soluciona o problema", critica Mingardi.Os três pontos prioritários, segundo o governo, são: reduzir homicídios, feminicídios e a violência contra a mulher; combater o crime organizado, principalmente o tráfico de drogas e de armas; e modernizar e racionalizar os presídios.

"Quando acontecem crises de segurança pública no Brasil, todo mundo se mobiliza, mas, depois de dois meses, isso passa. Nunca são propostas mudanças estruturais", afirma Mingardi.

Para o analista criminal, o mais imediato a ser feito é "separar os presos por tipo de crime, periculosidade, idade e tipo de pena" para impedir que grupos rivais continuem se matando.

Mingardi aponta a falta de comunicação entre as polícias, o Ministério Público e o Judiciário como um ponto crítico do sistema brasileiro.

Em 2015, ele trabalhou no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e, após um ano de estudos, elaborou uma proposta para interligar o sistema de inteligência penitenciária do Brasil.

Um banco de dados permitiria a troca de informações entre autoridades de segurança pública. O projeto foi entregue ao governo federal em agosto.

'Depósitos de presos'
O analista criminal defende ainda que "o Estado tinha todos os indícios" sobre a mais recente crise no sistema prisional e "não fez nada por incompetência". "O Estado nunca controlou as prisões."

A cadeia normalmente é um ambiente regido pelo governo, que decide como o preso come, dorme, por onde anda, a que horas toma sol ou não. Segundo Mingardi, não é isso o que acontece no Brasil.

"São depósitos de presos que o Estado nunca controlou, onde existem acordos tácitos entre líderes de facções criminosas e as autoridades penitenciárias."Ele acrescenta que, na maior parte das prisões do país, ninguém determina os horários e a rotina dos presos. "O chefe deste ou daquele grupo criminoso é quem decide."

"Por exemplo, há muito tempo não se consegue que os presos voltem para as suas celas. Foi possível ver isso acontecendo no Amazonas e em Roraima. As autoridades penitenciárias não conseguem trancá-los de volta."

Diante deste quadro, o analista considera não ser exagero dizer que o Estado está ausente das cadeias brasileiras.

Guerra pelo tráfico
O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) diz não ter dados oficiais e recentes sobre as facções criminosas no Brasil.

Mas um levantamento feito pelo jornal alemão Deutsche Welle com base em relatórios de CPIs, mapeamentos recentes de estudiosos do tema e dados da Polícia Federal e secretarias de segurança pública estaduais estima haver 83 em atuação no país.

A maior e mais poderosa é o Primeiro Comando da Capital (PCC), que teria cerca de 10 mil homens só em São Paulo e estaria presente em 22 dos 26 estados do país, segundo Mingardi.

A segunda força criminosa é o Comando Vermelho (CV), com base no Rio de Janeiro. As mortes recentes nos presídios estão relacionadas a uma guerra de poder entre essas facções.

Mingardi explica que o PCC controla a rota do tráfico de drogas do Paraguai desde junho do ano passado, após o assassinato do traficante Jorge Rafaat em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha a Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

Agora, o PCC busca ganhar força na região Norte para dominar a rota do tráfico do rio Solimões, na fronteira com Peru e Colômbia.

A região é, no entanto, dominada pela Família do Norte (FDN), aliada do CV que tem resistido às investidas do PCC.

O analista criminal acredita que o mais urgente a fazer no caso brasileiro é conhecer bem as organizações criminosas que atuam em cada Estado, separar os presos para evitar novas matanças e criar um programa para recuperar o controle dos presídios.

'Prendemos errado'
Mingardi compara a segurança pública brasileira com os modelos europeus e latino-americanos e afirma que isso deixa clara a ineficácia da polícia investigativa e a necessidade da desmilitarização da Polícia Militar (PM).

O ex-policial diz que atualmente a PM é separada da sociedade por estar ligada ao Exército e uma Justiça exclusiva, que submete seus membros a um regime disciplinar incompatível com a vida civil.

"Nós prendemos muito, mas prendemos errado. Se você trabalha para derrotar uma organização criminosa, não adianta prender quem distribui droga na rua. Vai encher a cadeia e não vai nem atenuar o problema", ele argumenta.

Mingardi diz que o surgimento do conceito de presídios "até foi um grande avanço em um determinado período". "Porque, antes, o que havia era a punição física: marcar o sujeito a ferro, enforcar. Passar para uma prisão é um certo grau de evolução", afirma.

"Porém, essa proposta tinha três objetivos: ressocializar, afastar do convívio quem comete determinado crime e punir. Nossos presídios fazem só a última parte - e mal".

Quanto à ressocialização dos presos, Mingardi lembra que ela ocorre por meio da educação e do trabalho, mas ainda é um desafio a nível global.

"Pode ser que a ressocialização funcione em alguns lugares, mas, na maioria dos países, não dá certo. Aqui no Brasil, com certeza não funciona. Há lugares em que se consegue afastar o preso da vida de crimes. Aqui, não: em São Paulo e no Rio, há gente que continua a controlar de dentro da cadeia a criminalidade do lado de fora".

Ele insiste que cadeia não diminui os índices de criminalidade. "Nosso sistema penitenciário é comandado por grupos bem organizados. Cada garoto que você manda para a cadeia pode se tornar mais um recruta do PCC ou do CV, porque eles são mais influenciáveis que sujeitos de 30 ou 35 anos".

O retrato que Mingardi faz da situação prisional brasileira é desalentador, e parece não haver saída a curto prazo. Mas, diante desse cenário, por que o Brasil prende tanto? "Só Deus sabe. Ninguém sabe".

sábado, 21 de janeiro de 2017

(VEJA) Chapecoense entra em campo contra o Palmeiras para um jogo da amizade

Esta é a primeira partida do time desde o acidente com o avião da Lamia.71 pessoas morreram, entre dirigentes, jogadores e jornalistas
A Chapecoense entra em campo neste sábado (21) para o jogo da amizade com o Palmeiras, campeão brasileiro. É a primeira partida do time profissional da 'Chape' desde o acidente que matou 71 pessoas, há quase dois meses.
21 de janeiro de 2017 e mais uma vez, o mundo quer saber notícias vindas de Chapecó. Desta vez, esperam por boas novidades.
Jornalistas de nove países, idiomas diversos, mas as mesmas perguntas: Está tudo bem? Como andou a vida nesses dois meses? Perguntas que parecem banais, do dia a dia, mas que têm muito significado para quem é de Chapecó.
Tem sido aos pouquinhos, passo a passo, assim como a manutenção do gramado da Arena Condá. Tem sido assim a reconstrução da Chapecoense em 2017. Vinte e três jogadores chegaram, atletas que ainda estão se conhecendo, mas se por acaso faltar entrosamento no jogo contra o Palmeiras, a força para vitória da Chape pode vir de fora. Da arquibancada.
Apoio, no dicionário dos apaixonados pela Chape, significa ir ao estádio mesmo quando não tem jogo. A torcida aproveita cada oportunidade para ficar pertinho do time.
Richard e Gabriel têm 11 meses e já são sócios da Chape. Eles vão ao jogo pela primeira vez.
Amor e também dedicação. O campo já está bonito, só esperando a Chapecoense jogar.


O técnico Tite, da Seleção Brasileira de Futebol, convocou hoje (19)  23 jogadores para representar o Brasil no Jogo da Amizade na próxima quarta-feira (25), contra a Colômbia, às 21h45, no Estádio Nilton Santos, o Engenhão, no Rio de Janeiro. Por não se tratar de uma data do calendário da Fifa, foram chamados apenas jogadores que atuam no futebol brasileiro.

Toda renda líquida da partida será repassada ao time da Chapecoense, que a utilizará integralmente para indenizar os familiares dos jogadores, membros da comissão técnica e dirigentes que foram vítimas da queda do avião que levava a equipe para disputar a partida final da Copa Sul-Americana, em Medellín, na Colômbia. No acidente, 71 pessoas morreram, incluindo jogadores, dirigentes, jornalistas e parte da tripulação.

Tite convocou também Paulo Paixão, ex-preparador físico da seleção brasileira. O filho dele, Alexandre Paixão, trabalhava na comissão técnica da Chapecoense e foi uma das vítimas da queda do avião.

Os ingressos já estão à venda pela internet. A meia-entrada no setor Norte custa R$ 35. Foi criado também pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um tipo de ingresso solidário, que custa de R$ 50 a R$ 500, para quem quiser contribuir com a Chapecoense.

O técnico Tite disse que a partida tem uma grandeza muito grande. “Ela é humana porque não é do senso competitivo”, afirmou.